"Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir."   (Martinho Lutero)
 
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Quando Eu Penso em Desistir... PDF Imprimir E-mail
Por José Barbosa Júnior   

 

Domingo à noite resolvi visitar uma outra igreja... era uma igreja conhecida, fazia tempo que eu já tinha ido por lá. Igreja boa, boa palavra, mas... fazia tempo... e as coisas mudam... e as igrejas também. Infelizmente...

 

O culto começou com umas orações estranhas... repreendendo as forças do mal naquele lugar... como se a maior presença ali fosse a do “inimigo” e não dAquele que deveria ser cultuado.

 

Logo depois uma música de “abertura de culto”: “O Cheiro das Águas”... uma interpretação equivocada do texto de Jó 14.7-10. Permaneci em pé, sem cantar, olhando as pessoas ao meu redor numa espécie de frenesi espiritual... certos de que o que cantavam era a mais pura verdade bíblica. Não questiono as intenções desses corações... até sei o que interpretavam ao cantar o cântico... mas lhes faltava o conhecimento da Palavra... lembrei-me do profeta: “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento”.

 

Piorou quando o Pastor pegou a palavra e começou a “pregar” em cima da letra do cântico. Vi claramente que invertemos a coisa. Agora já não é a pregação e a Palavra que sustentam os cânticos, mas os cânticos é que determinam a teologia a ser ensinada. Entristeceu-me mais ainda ver isso tudo... a Palavra substituída pela superficialidade dos cânticos.

 

Logo depois assentei-me e, por força de um “congresso” realizado naquele final de semana, algumas pessoas foram à frente dar o testemunho do que viveram naqueles dias. Falavam de “veredas antigas”... uma moça deu seu testemunho: mesmo depois de crente sentia-se subjugada, triste, humilhada, não perdoada, até que nesse “congresso” descobriu que tinha que quebrar as “legalidades” que Satanás ainda tinha sobre sua vida...

 

Aquilo “acabou” comigo!

 

Onde estaria o poder da cruz de Cristo e do túmulo vazio? Que graça é essa que mesmo depois de ter me “tirado do império das trevas e me transportado para o Reino do Filho do Seu amor” ainda dava “legalidades” ao diabo? Que Jesus medíocre é esse que me engana dizendo que se eu O conhecer, verdadeiramente serei livre?  Perdoem-me, mas o Jesus pregado pelas “veredas antigas” é um impostor, um enganador. Esse Jesus que ainda dá “legalidade” ao inimigo é um fraco, um mentiroso, pois diz que “aquele que crer em mim, já passou da morte para a vida”, quando na verdade não é bem assim...

 

Pensei naquela moça... anos na igreja sofrendo sem conhecer a graça. E o pior: continua sem conhecer, pois essa coisa que ensinaram pra ela pode ser tudo, menos a graça salvadora e libertadora de Cristo, que se fez maldição por nós, para que nós NUNCA MAIS TIVÉSSEMOS O PESO DA MALDIÇÃO sobre nossas vidas.

 

Pensei: Será que vale a pena lutar contra isso? Até quando erguerei minha voz contra isso sem que seja ouvido? Será que vale a pena permanecer fiel à Palavra, mesmo que o povo já não a queira mais? Confesso que às vezes canso... confesso que às vezes choro ao ver esse quadro... confesso que às vezes penso que não vale a pena...

 

Mas...

 

Trouxe à minha memória aquilo que me podia dar esperança: as misericórdias do Senhor, sua graça infinda... e a graça de conhecer pessoas que partilham desse mesmo “sofrimento” glorioso: anunciar o evangelho verdadeiro... sem medo!

 

Vieram à minha mente alguns nomes: Raphael da Rocha, homem de Deus e fiel pregador, preparando-se para ser Pastor (com P maiúsculo). Lembrei-me do amigo Roberto Amorim, a quem admiro pela seriedade em lidar com as Escrituras. Pensei na Fernanda Peixoto, doce mineirinha que decidiu servir a Deus com tudo o que é, sem abrir mão das Sagradas Letras. Os nomes começaram a saltar à mente como uma panela carregada de milhos, que estouravam como “santas pipocas”: Juan de Paula, dedicado ao Ministério, sem perder de vista o ensino coerente da Palavra. Marcia Carvalho, grande amiga em quem tenho visto o desejo sincero de viver a simplicidade do Evangelho. Lembrei-me dos bons tempos de evangelismo e discussões com a turma do PROCAP (Projeto Capelania): Filippo, Rafael “Fufa”, Esdras, Marcelo “Frodo”, Márcio, e tantos outros que conosco se reuniam para “sugarmos” a Palavra.

 

Não tive como não lembrar de Robson Ramos, amigo e mestre, a quem devo muito do que aprendi. Marcos André e Wesly Rosa, meus primeiros professores na EBD, que instigaram em mim o desejo, que até hoje persiste, de conhecer mais e mais a Palavra. Lembrei-me do meu “amado discípulo” Thiago Azevedo, lá em Belém do Pará. Senti saudades das longas conversas com o Pr. Diogo Magalhães, mestre e amigo... dos amigos recentes Allan Patrick e Raquel Brasil, e a imensa vontade deles de fazer a obra de Deus de forma correta.

 

Sorri ao lembrar de Renato Fontes e suas “Perguntas Retóricas”. Alegrei-me ao pensar no Marcos André Farias, cupincha gaúcho (como ele diz) e de seus abraços “quebra-costelas de atorá no meio”; na Adeisa, lá da Paraíba e seu desejo de servir a Deus com integridade e conhecimento; na Luciana Lemos, de São Paulo, e sua busca de sinceridade e seriedade para com a Palavra de Deus, sem querer entrar em “ondas estranhas”; na enorme turma que “invadiu” as comunidades “Crer é Também Pensar” e “Não Agüento Mais Mantra Gospel”,no ORKUT... gente cansada disso tudo e que resolveu soltar a voz...e mostrar a cara!

 

 

Pensei nos pastores que mais me influenciaram. Homens de Deus dos quais tive o privilégio de "aprender assentado aos pés", como Russell Shedd e sua incomparável maestria e doçura; Ricardo Gondim, de quem tomei lições inesquecíveis numa viagem (sem que ele mesmo percebesse); Roque Lopes de Carvalho Filho, por sua simplicidade e amizade, além do rico conteúdo (que nunca lhe tornou soberbo); Isaltino Gomes, pela sobriedade no trato com a Palavra; Carlos César Peff Novaes, com quem aprendi o que é um ser um pastor ético; Fausto Vasconcelos, por sua eloquência e trato com os fiéis; enfim, homens de Deus que não se curvaram aos "modelos" de crescimento a todo custo.

 

Pensei na música cristã e dei graças a Deus pela vida de Arlindo Lima e seu talento dedicado à excelência; Carlos Sider e sua maravilhosa voz (além de seus escritos e do www.provoice.com.br); Nelson Bomilcar e a simplicidade assustadora desse “baita” músico cristão; Gladir Cabral e sua poesia que fala à alma; Carlinhos Veiga e sua regionalidade que vem de Deus; do Baixo e Voz de Sérgio e Marivone; João Alexandre e seu violão inigualável; Gláucia Carvalho e sua genialidade e simpatia; Quarteto Vida e a harmonia dos anjos em voz humana; tanta gente boa de Deus...

 

Vi que ainda vale a pena...vi que ainda há mais de sete mil que não dobraram os joelhos aos Baais que se nos apresentam. A tristeza que sentia deu lugar à uma sensação gostosa de não estar sozinho... e agradeci a Deus por toda essa gente, e outras que fizeram parte de minha história,  e por aquelas que ainda entrarão...e me ensinarão que, apesar de tudo apontar para o contrário... VALE A PENA!!!

 

 

José Barbosa Junior

 

  
 
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