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Este texto é uma homenagem a minha querida turma do Seminário do Sul, turma com a qual deveria estar, hoje, colando grau... mas por razões as mais diversas, não foi assim que aconteceu... Rio de Janeiro, 06 de fevereiro de 2010 Caros amigos, Neste dia tão especial para todos vocês, quero incentivá-los a uma re-leitura de um texto bem conhecido. Caminhemos por essas linhas... No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, e viu que tudo era bom, decidiu criar um ser à Sua imagem e semelhança, com quem manteria agradável comunhão todos os dias. E assim acontecia. Sempre ao cair do sol Deus mesmo aparecia no imenso jardim que havia criado e conversava com aquele homem, o ser que havia tido como “obra prima” de sua imensa criação. E a conversa era sempre agradável. Mas havia uma coisa que havia sido deixada clara desde as primeiras conversas com o Criador: o homem sempre seria um aprendiz, alguém que conversaria sempre com o seu Mestre, mas sabendo o seu devido lugar, o de eterno “calouro”, sempre disposto a aprender. E havia um conselho sábio por parte daquele que era eternamente Sábio: “nunca se alimentem da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comerem vocês se formarão, e esquecerão de mim... e esquecer de mim, será a morte para vocês.” Certo dia, a mulher estava por ali, passeando à sombra daquela agradável árvore quando do alto do mais alto galho, apareceu um doutor, travestido de serpente, e lhe disse: “Por que não provam do fruto desta árvore, do conhecimento do bem e do mal?” A mulher prontamente lhe respondeu: “Porque Deus disse que devemos ser eternos aprendizes, e nunca formados”. “Bobagem, respondeu o doutor, Deus sabe que no dia em que se formarem... sereis como Deus... conhecedores do bem e do mal”. A árvore e seu fruto, os diversos diplomas que pendiam de seus galhos, eram agradáveis à vista e os dizeres do doutor serpente agradáveis aos ouvidos. E ela comeu. Logo seu marido chegou e viu a mulher numa conversa nunca antes imaginada com o “doutor”. Falavam sobre soteriologias, eclesiologias, pneumatologias, predestinação e livre-arbítrio, soberania de Deus e um tal teísmo aberto, e aquela conversa pareceu bem mais interessante ao homem do que as poesias e músicas que sempre terminavam seus encontros com o Criador. E ele também comeu! Naquele momento seus olhos foram abertos... e nasceu ali o primeiro congresso de “teologia”. E eles se formaram! Agora sabiam tudo sobre a divindade e sabiam muito bem todas as respostas para todas as perguntas. Nada de poesia, música e conversas ao fim da tarde. O diploma que carregavam agora, como fruto agradável, era seu deus! Naquela tardinha, quando o Criador apareceu, eles haviam se escondido, pois todo o conhecer que adquiriram também lhes trouxera a certeza de que estavam nus, desprovidos de calor e expostos a todo frio da noite que se aproximava. E foram expulsos do jardim antes que comessem da árvore da vida, e sua teologia se tornasse eterna... Meus queridos amigos, a maior tentação que pode ocorrer a partir de hoje na vida de vocês é se acharem conhecedores do bem e do mal. Agora são “teólogos”, e no imaginário popular (e infelizmente incentivado por alguns da Academia) os teólogos são aqueles que sabem tudo sobre Deus. Nunca acreditem nisso! Isso é diabólico! Em seu livro “Pinóquio às Avessas”, Rubem Alves conta a história de um menino que foi levado por sua família a se “formar” de qualquer jeito. Esqueceu seus sonhos, suas paixões... o importante era o diploma. O diploma é que lhe daria um novo sentido à vida. Mas “formatura” já é, em si, um nome feio! Não devemos nos formar NUNCA! Porque o saber não tem forma, apesar de muitas instituições adorarem que seus alunos saiam de lá “formados”, verdadeiros repetidores de gestos e palavras que jamais farão sentido na alma do homem que sente saudade dos encontros à tardinha, repletos de poesia e música. Dizem até que a nostalgia que nos vem sempre ao fim da tarde é saudade eterna desse encontro... Meu pedido a vocês e meu desejo mais sincero é que nunca abandonem a vocação pela sede de conhecimento. Vocês foram chamados, em sua maioria, para cuidarem de gente, não de coisas. Livros são coisas, por melhores “amigos” que sejam. Nunca tomem a forma do presente século, como diria o autor bíblico, onde o que vale mais é o ter e o conhecer do que o ser e se relacionar. O sábio palhaço diria “Não sois máquinas, homens é que sois”... nunca se esqueçam disso! Portanto, meus amados amigos, companheiros de caminhada e de longas discussões... nunca se dêem por formados... retornem ao posto de aprendizes... aos encontros à tardinha com Aquele que enche a nossa alma de poesia, música e amor pelas outras pessoas... porque no dia em que se formarem, não serão deuses... diabos é que serão! Que Deus os abençoe! Amo vocês! José Barbosa Junior Amigos homenageados: Ana Regina Silva Wanderley; André Miranda Decotelli da Silva; Anne Dias Rodrigues Santos; Cleuson de Pariz Zippinotte; Demilson de Castro; Elias da Costa Moreira; Emílio Flores Leyva; Felipe Luiz Fernandes da Silva; Filipe Silva dos Santos; Flávio Vieira Wandermurem; Gabriele Santos de Souza; Guttemberg Pereira Ferreira; Hugo Leonardo Bertolot Silva; Joseli da Silva Dias; Josemar Rodrigues da Silva; Leonardo Davi Crespo Santana; Luciana da Silva Rodrigues; Lúcio Vinicius Constantino da Conceição; Luís Carlos de Jesus; Marcelo Joaquim Santos da Costa; Márcio Antônio Arruda; Marcio Cappelli Aló Lopes; Marcos Roberto da Silva; Marcos Valério Marins Rodrigues; Miquéias Pereira Lima; Raquel Belém de Andrade da Silva; Roberto Gouveia da Silva; Valtencir Ferreira da Silva; William Rodrigues de Souza. |