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Você já imaginou a Parábola do Filho Pródigo contada pelos versos da Música Popular Brasileira? Já percebeu que muitas dessas músicas podem encerrar verdades e temas que nos fazem refletir e pensar em Deus e seu amor? Este musical foi apresentado como programação especial de uma igreja evangélica no Rio de Janeiro, tendo uma boa repercussão. Compartilho com vocês o ROTEIRO COMPLETO (textos e músicas) do musical “A Parábola do Filho Pródigo pela lente da MPB” Seleção Musical: José Barbosa Junior e Benjamin Sathler Texto e Roteiro: José Barbosa Junior ABERTURA A parábola do Filho Pródigo talvez seja uma das mais conhecidas histórias que Jesus contou. Hoje a veremos de uma forma um pouco diferente... A vida pode parecer com uma estação de trem... muitos chegam, muitos vão... os que chegam trazem consigo as cores, alegres ou tristes, dos lugares por onde passaram. Os que vão, partem na esperança de conquistar algo, até mesmo a tão procurada felicidade... Assim é a vida... até o dia em que, quem parte, leva um pedaço de nós... Mande notícias Do mundo de lá Diz quem fica Me dê um abraço Venha me apertar Tô chegando... Coisa que gosto é poder partir Sem ter planos Melhor ainda é poder voltar Quando quero... Todos os dias é um vai-e-vem A vida se repete na estação Tem gente que chega prá ficar Tem gente que vai Prá nunca mais... Tem gente que vem e quer voltar Tem gente que vai, quer ficar Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar E assim chegar e partir... São só dois lados Da mesma viagem O trem que chega É o mesmo trem Da partida... A hora do encontro É também, despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar É a vida... (1) Nossa história começa no Rio de Janeiro, anos 80. Explodia a alegria da abertura política e a globalização dava seus primeiros sinais... o Rock in Rio abria as portas da capital carioca para o mundo e o sonho americano fazia com que jovens deixassem suas famílias e fossem tentar a vida nos “states”. Na família que hoje conheceremos, não era diferente... Moradores de um bairro nobre do Rio, parecia, vista de fora, uma família normal, sem muitos problemas aparentes... Um empresário, homem bem sucedido em seus negócios... e seus dois filhos, ambos acostumados a ter “do bom e do melhor”... ambos perdidos... acho até que poderíamos cantar a vida dos dois filhos desse jeito... Levava uma vida sossegada Gostava de sombra E água fresca Meu Deus! Quanto tempo eu passei Sem saber! Uh! Uh!... Baby Baby Não adianta chamar Quando alguém está perdido Procurando se encontrar Baby Baby Não vale a pena esperar Oh! Não! Tire isso da cabeça Ponha o resto no lugar (2) Ainda que ambos tenham sido criados da mesma forma... o filho mais novo, que havia a pouco tempo comemorado seus 18 anos, mergulha em uma procura existencial... sua vida parecia sem sentido... a infelicidade parecia rondar e encontrar lugar ali... enquanto ele mesmo procurava se entender... Por tanto amor Por tanta emoção A vida me fez assim Doce ou atroz Manso ou feroz Eu caçador de mim Preso a canções Entregue a paixões Que nunca tiveram fim Vou me encontrar Longe do meu lugar Eu, caçador de mim Nada a temer senão o correr da luta Nada a fazer senão esquecer o medo Abrir o peito a força, numa procura Fugir às armadilhas da mata escura Longe se vai Sonhando demais Mas onde se chega assim Vou descobrir O que me faz sentir Eu, caçador de mim (3) Sua procura parece não ter fim... Ele, além de não se encontrar, parece buscar fora de sua casa, o que seu coração mais anseia... Eu quero ficar só Mas comigo só Eu não consigo Eu quero ficar junto Mas sozinho só Não é possível... É preciso amar direito Um amor de qualquer jeito Ser amor a qualquer hora Ser amor de corpo inteiro Amor de dentro prá fora Amor que eu desconheço... Quero um amor maior Um amor maior que eu Quero um amor maior, Um amor maior que eu... (4) Até o dia que ele decide partir... a casa, os amigos, o amor do pai... não são suficientes para preencher o vazio que se instalara em seu coração... ele quer partir... que voar... em busca do sonho de ser feliz em outro lugar... em outro país... e ele vai... Vou andar, vou voar, pra ver o mundo Nem que eu bebesse o mar Encheria o que eu tenho de fundo (5) Seu pai sabe que a vida não é tão simples e fácil assim... cheio de amor e antevendo os caminhos tortuosos em que o filho deveria trilhar, faz sua dor se transformar em canto... um canto de alerta, um canto de dor, um canto de amor... Ainda é cedo amor Mal começaste a conhecer a vida Já anuncias a hora da partida Sem saber mesmo o rumo que irás tomar Preste atenção querida Embora saiba que estás resolvida Em cada esquina cai um pouco a tua vida Em pouco tempo não serás mais o que és Ouça-me bem amor Preste atenção, o mundo é um moinho Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos Vai reduzir as ilusões à pó. Preste atenção querida De cada amor tu herdarás só o cinismo Quando notares estás a beira do abismo Abismo que cavaste com teus pés (6) Silêncio Façam silêncio Quero dizer-vos minha tristeza Minha saudade e a dor A dor que há no meu canto Oh, silenciai Vós que assim vos agitais Perdidamente em vão Meu coração vos canta A mais dolorosa das histórias Meu amado partiu Partiu Oh, grande desespero de quem ama Ver partir o seu amor (7) De nada adianta o alerta do pai... Ele está decidido... não há mais nada que o satisfaça na casa do pai... Pede a sua parte nos negócios do pai... e parte... vai voar... vai beber o mar tentando preencher o seu vazio... Vou andar, vou voar, pra ver o mundo Nem que eu bebesse o mar Encheria o que eu tenho de fundo (8) É claro que no começo tudo parece um sonho... A vida numa terra distante, gente nova, novos amigos... e muito dinheiro para gastar, em busca da felicidade... Minha vida é andar Por esse país Pra ver se um dia Descanso feliz Guardando as recordações Das terras por onde passei Andando pelos sertões E dos amigos que lá deixei. Chuva e sol Poeira e carvão Longe de casa Sigo o roteiro Mais uma estação E alegria no coração.(9) Sem perceber, faz da sua vida uma busca incessante de prazeres e festas... sempre rodeado por amigos e mulheres... a vida é boa e louca fora de casa... Que saudade nada!!! Ele quer é curtir o mundo, o novo mundo!!! Vida louca vida Vida breve Já que eu não posso te levar Quero que você me leve Vida louca vida Vida imensa Ninguém vai nos perdoar Nosso crime não compensa (10) Aqui damos um salto na história... Lá se vão vinte anos após a saída de casa... o menino agora é um homem... com os mesmos medos e fantasmas a rondarem sua alma... E ainda haveria de piorar... O ano é 2008, uma crise na economia estadunidense faz com que o nosso já não tão menino perca tudo... Todo seu dinheiro aplicado em ações e imóveis em terras norte-americanas escoa como uma água suja entrando pelo ralo... A felicidade aparente desaba frente a nua e crua realidade que chega pra ficar... ele está só... sem dinheiro... sem amigos... sem amores... e numa terra distante... E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio - e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde? (11) Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito Inda mora e é por isso que eu gosto Lá de fora, onde sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito Inda mora e é por isso que eu gosto Lá de fora, onde sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como é que a gente voa quando começo a pensar (12) Ele custa a entender que, sem dinheiro, tudo o que havia conseguido era efêmero... não resistiu ao crash da bolsa, e muito menos ao coração frágil e interesseiro de pessoas que o cercavam em busca de favores e posição... Porque é a mais pura verdade... Dinheiro na mão é vendaval É vendaval Na vida de um sonhador De um sonhador Quanta gente aí se engana E cai da cama Com toda a ilusão que sonhou E a grandeza se desfaz Quando a solidão é mais Alguém já falou. Mas é preciso viver E viver Não é brincadeira não Quando o jeito é se virar Cada um trata de si Irmão desconhece irmão E aí Dinheiro na mão é vendaval Dinheiro na mão é solução E solidão Dinheiro na mão é vendaval Dinheiro na mão é solução E solidão (13) E aqui, em terras brasileiras, um homem já velho... com seus cabelos brancos... não perde a esperança... mesmo 20 anos mais tarde e há tempos sem receber notícia alguma do filho que tanto amava... ele sonha. Sonha com o filho entrando por sua porta... ele ainda sente o cheiro do perfume do filho espalhado pela casa... nos livros que tanto gostava de ler... e o sonho se renova... Entre por essa porta agora E diga que me adora Você tem meia hora Pra mudar a minha vida Vem, v'ambora Que o que você demora É o que o tempo leva Ainda tem o seu perfume pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro Dentro da noite veloz Ainda tem o seu perfume pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro Na cinza das horas (14) Longe de casa... perdido e sem nada... sua dor aumenta... seu semblante cai... sua tristeza e seu grito de desespero, com certeza, acordariam uma cidade inteira para ouvir do sofrimento e angústia de uma vida sem esperanças... Parece cocaína Mas é só tristeza Talvez tua cidade Muitos temores nascem Do cansaço e da solidão Descompasso, desperdício Herdeiros são agora Da virtude que perdemos... Há tempos tive um sonho Não me lembro, não me lembro... Os sonhos vêm e os sonhos vão E o resto é imperfeito... Dissestes que se tua voz Tivesse força igual À imensa dor que sentes Teu grito acordaria Não só a tua casa Mas a vizinhança inteira... (15) Ele bem que deveria ter ouvido o conselho dado antes de sair de casa... Quando eu sai de casa Minha mãe me disse: Baby, você vai se arrepender Pois o mundo lá fora Num segundo te devora Dito e feito Mas eu não dei o braço a torcer Hoje eu vendo sonhos Ilusões de romance Te toco minha vida Por um troco qualquer É o que chamam de destino E eu não vou lutar com isso Que seja assim enquanto é (16) Nos momentos de solidão... muitas vezes enumeramos algumas coisas... as chances desperdiçadas, os amigos que deixamos pelo caminho, os sonhos frustrados, os amores esquecidos... Essa lista pode nos surpreender... Faça uma lista de grandes amigos Quem você mais via há dez anos atrás Quantos você ainda vê todo dia Quantos você já não encontra mais... Faça uma lista dos sonhos que tinha Quantos você desistiu de sonhar! Quantos amores jurados pra sempre Quantos você conseguiu preservar... Onde você ainda se reconhece Na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria Quantos amigos você jogou fora? Quantos mistérios que você sondava Quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava Hoje são bobos ninguém quer saber? Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantos defeitos sanados com o tempo Eram o melhor que havia em você? Quantas canções que você não cantava Hoje assobia pra sobreviver? Quantas pessoas que você amava Hoje acredita que amam você?(17) Ah! Se pudesse voltar no tempo... apagar os erros... fazer brilhar o sol onde só há chuva... Rever conceitos, rever amigos, resgatar o amor perdido e o abraço querido do pai carinhoso... Se um dia eu pudesse ver Meu passado inteiro E fizesse parar de chover Nos primeiros erros O meu corpo viraria sol Minha mente viraria Mas, só chove e chove Chove e chove (18) E do lado de cá... o pai ainda aguarda a volta do filho... sua esperança parece renascer a cada manhã... sua espera é maior... todos os dias ronda o metrô próximo à sua casa... quem sabe um dia seu filho apareça ali... o barulho dos trens traz a esperança que insiste em não ir embora... O gesto humano fica no ar O abandono fica maior E lá na curva desaparece a sua fé Homem que é homem não perde a esperança, não Ele vai parar Quem é teimoso não sonha outro sonho, não Qualquer dia ele pára E assim Pinduca toda manhã Sorriso aberto e roupa nova Passarinho preto de terno branco Vem a renovar a sua fé Quem é teimoso não sonha outro sonho, não Qualquer dia ele pára E assim Pinduca toda manhã Sorriso aberto e roupa nova Passarinho preto de terno branco Vem a renovar a sua fé (19) Se o amor quiser voltar Que terei pra lhe contar A tristeza das noites perdidas Do tempo vivido em silêncio Qualquer olhar lhe vai dizer Que o adeus me faz morrer E eu morri tantas vezes na vida Mas se ele insistir Mas se ele voltar Aqui estou sempre a esperar (20) Enquanto isso... o filho parece acordar de um pesadelo terrível... Eu hoje tive um pesadelo E levantei atento, a tempo Eu acordei com medo E procurei no escuro Alguém com o seu carinho E lembrei de um tempo Porque o passado me traz uma lembrança Do tempo que eu era criança E o medo era motivo de choro Desculpa pra um abraço ou consolo Hoje eu acordei com medo Mas não chorei, nem reclamei abrigo Do escuro, eu via o infinito Sem presente, passado ou futuro Senti um abraço forte, já não era medo Era uma coisa sua que ficou em mim De repente, a gente vê que perdeu Ou está perdendo alguma coisa Morna e ingênua que vai ficando no caminho Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás (21) Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Vivi, estudei, amei e até cri, E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: — Em que espelho ficou perdida a minha face? (22) A dor das esquinas e lugares por onde sua vida passou nos últimos anos faz com que algo renasça em seu coração... a saudade do abraço do pai... o olhar amigo... o coração festivo onde sempre encontrou abrigo e proteção... Sua solidão demonstra a loucura que passou por tão pouca aventura ... Só você prá dar A minha vida direção O tom, a cor Me fez voltar a ver a luz Estrela no deserto a me guiar Farol no mar, da incerteza... Um dia um adeus E eu indo embora Quanta loucura Por tão pouca aventura... Agora entendo Que andei perdido O que é que eu faço Prá você me perdoar... Ah! que bom seria Se eu pudesse te abraçar Beijar, sentir Como a primeira vez Te dar o carinho Que você merece ter E eu sei te amar Como ninguém mais... (23) A esperança renasce... o sol parece voltar a brilhar, mesmo em terras distantes... e, enquanto houver sol... haverá esperança! Quando não houver saída Quando não houver mais solução Ainda há de haver saída Nenhuma idéia vale uma vida... Quando não houver esperança Quando não restar nem ilusão Ainda há de haver esperança Em cada um de nós Algo de uma criança... Enquanto houver sol Enquanto houver sol Ainda haverá Enquanto houver sol Enquanto houver sol... Quando não houver caminho Mesmo sem amor, sem direção A sós ninguém está sozinho É caminhando Que se faz o caminho... Quando não houver desejo Quando não restar nem mesmo dor Ainda há de haver desejo Em cada um de nós Aonde Deus colocou... Enquanto houver sol Enquanto houver sol Ainda haverá Enquanto houver sol Enquanto houver sol...(24) Decidido a voltar... o menino-homem parte em busca do abraço do pai... reencontrar o amor perdido no tempo... voltar pra sua cidade, ainda maravilhosa... O pouco que ainda lhe resta é suficiente para comprar sua passagem de volta... ele quer voltar pra sua gente, seu povo, sua língua, quer voltar a ser menino... no colo de um pai amoroso! O avião levanta vôo... falta pouco tempo... Será que o pai ainda está a lhe esperar? Será que ainda resta amor? Será que ele o aceitaria, pelo menos, como um de seus muitos empregados? Enquanto voa... sua mente viaja... Um frescor de esperança parece trazer um leve sorriso, que há tempos deixou de ser dado... sua alma canta... ele vê sua cidade... Minha alma canta Vejo o Rio de Janeiro Estou morrendo de saudades Rio, seu mar Praia sem fim Rio, você foi feito prá mim Cristo Redentor Braços abertos sobre a Guanabara Este samba é só porque Rio, eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Rio de sol, de céu, de mar Dentro de um minuto estaremos no Galeão Copacabana, Copacabana Cristo Redentor Braços abertos sobre a Guanabara Este samba é só porque Rio, eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Aperte o cinto, vamos chegar Água brilhando, olha a pista chegando E vamos nós Pousar... (25) Ele parece não acreditar... está de novo em terras brasileiras... 20 anos depois... o cheiro da infância invade seu corpo... e ele quer logo chegar em casa... Como estará seu velho pai? e seu irmão? A casa... ainda estará da mesma forma? Vinte anos não são vinte dias... Ele vai... o sol parece brilhar forte trazendo raios de esperança sobre sua vida... Ele chega... vê a casa onde passou sua infãncia... seus olhos marejam... e ele se enche de coragem... e entra... Eu cheguei em frente ao portão Meu cachorro me sorriu latindo Minhas malas coloquei no chão Eu voltei!... Tudo estava igual Como era antes Quase nada se modificou Acho que só eu mesmo mudei E voltei!... Eu voltei! Agora prá ficar Porque aqui! Aqui é meu lugar Eu voltei pras coisas Que eu deixei Eu voltei!... Fui abrindo a porta devagar Mas deixei a luz Entrar primeiro Todo meu passado iluminei E entrei!... Meu retrato ainda na parede Meio amarelado pelo tempo Como a perguntar Por onde andei? E eu falei!... Onde andei! Não deu para ficar Porque aqui! Aqui é meu lugar Eu voltei! Pras coisas que eu deixei Eu voltei!... Sem saber depois de tanto tempo Se havia alguém a minha espera Passos indecisos caminhei E parei!... Quando vi que dois braços abertos Me abraçaram como antigamente Tanto quis dizer e não falei E chorei!... Eu voltei! Agora prá ficar Porque aqui! Aqui é o meu lugar Eu voltei! Pras coisas que eu deixei Eu voltei!..(26) Como a tristeza se transformou em alegria!!! A festa tomou conta da casa... o pai logo manda comprar roupas novas para o filho... e convida os amigos para um churrasco... um bom e caprichado churrasco... o filho voltou!!! Seu coração é só sorrisos... ele quer contagiar a cidade com sua alegria... num dia para nunca mais se esquecer... O amor venceu a saudade... a festa venceu a tristeza... a esperança fez valer os anos de espera... Tudo é festa... que todos venham... de todos os lugares... que a festa começou!!! Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos De rostos serenos, de palavras soltas Eu quero a rua toda parecendo louca Com gente gritando e se abraçando ao sol Hoje eu quero ver a bola da criança livre Quero ver os sonhos todos nas janelas Quero ver vocês andando por aí Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse Eu até desculpo o que você falou Eu quero ver meu coração no seu sorriso E no olho da tarde a primeira luz Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto Eu quero um carnaval no engarrafamento E que dez mil estrelas vão riscando o céu Buscando a sua casa no amanhecer Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada Rasgar a noite escura como um lampião Eu vou fazer seresta na sua calçada Eu vou fazer misérias no seu coração Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua Pra escrever a música sem pretensão Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce E que triunfe a força da imaginação (27) Porém... no meio da festa... um sorriso não se abriu... um coração não festejou... um sonho não se tornou realidade... O filho mais velho... amargurou-se... sempre esteve com o pai... e agora vê uma festa colossal (como ele nunca havia tido) para o irmão mais novo... o que havia feito tudo de errado... sujado o nome da família... levado embora durante anos o sorriso do pai... Isso era injusto a seus olhos... seu sofrimento queria tomar forma e cor... um cálice sangrento de ira e dor... Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Esse silêncio todo me atordoa Atordoado eu permaneço atento Na arquibancada pra qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa Pai, afasta de mim este cálice Pai, afasta de mim este cálice De vinho tinto de sangue Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça (28) O pai procura pelo filho mais velho no jardim da casa... e explica a alegria de ter o filho mais novo de volta... os sonhos todos na janela... a alegria voltando a colorir a casa... os sorrisos... a música... O convite do pai para o filho mais velho é que ele entre para a festa... para o que é bom... perfeito... Não é tempo de maldade... de rancores... O futuro recomeça... a vida volta a pulsar na casa... “Venha filho... isso tudo também é teu... sempre foi teu” Venha! Meu coração está com pressa Quando a esperança está dispersa Só a verdade me liberta Chega de maldade e ilusão Venha! O amor tem sempre a porta aberta E vem chegando a primavera Nosso futuro recomeça Venha! Que o que vem é Perfeição!... (29) Assim termina a nossa história... a festa está de portas abertas... Não... não tente se identificar apenas com um dos filhos... todos temos um pouco de cada um... muitos de nós partimos enquanto ficamos... e ficamos enquanto partimos... Muitos de nós queremos a festa, mas também a detestamos quando é para o outro que a celebração acontece... É preciso aprender... é preciso amar... é preciso saber viver! Quem espera que a vida Seja feita de ilusão Pode até ficar maluco Ou morrer na solidão É preciso ter cuidado Pra mais tarde não sofrer É preciso saber viver Toda pedra do caminho Você pode retirar Numa flor que tem espinhos Você pode se arranhar Se o bem e o mal existem Você pode escolher É preciso saber viver É preciso saber viver É preciso saber viver É preciso saber viver Saber viver, saber viver! (30) Músicas e Poemas Selecionados: 1) Encontros e Despedidas (Milton Nascimento / Fernando Brant) 2) Ovelha Negra (Rita Lee) 3) Caçador de Mim (Luis Carlos Sá / Sérgio Magrão) 4) Amor Maior (Rogério Flausino) 5) Seduzir (Djavan) 6) O Mundo é um Moinho (Cartola) 7) A Mais Dolorosa das Histórias (Vinícius de Moraes) 8) Seduzir (Djavan) 9) A Vida do Viajante (Luiz Gonzaga / Hervê Cordovil) 10) Vida, Louca Vida (Lobão / Bernardo Vilhena) 11) E Agora, José? (Carlos Drummond de Andrade) 12) Felicidade (Lupicínio Rodrigues) 13) Pecado Capital (Paulinho da Viola) 14) Vambora (Adriana Calcanhoto) 15) Há Tempos (Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá) 16) Minha Vida (Lulu Santos) 17) A Lista (Oswaldo Montenegro) 18) Primeiros Erros (Kiko Zambianchi) 19) Roupa Nova (Milton Nascimento / Fernando Brant) 20) Se o Amor Quiser Voltar (Vinícius de Moraes) 21) Poema (Cazuza / Frejat) 22) Tabacaria / Retrato ( Álvaro de Campos / Cecília Meirelles) 23) Um Dia, Um Adeus (Guilherme Arantes) 24) Enquanto Houver Sol (Sérgio Britto) 25) Samba do Avião (Tom Jobim) 26) O Portão (Roberto Carlos / Erasmo Carlos) 27) Sem Mandamentos (Oswaldo Montenegro) 28) Cálice (Chico Buarque / Gilberto Gil) 29) Perfeição (Renato Russo) 30) É Preciso Saber Viver (Erasmo Carlos / Roberto Carlos) |