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Gosto muito de conversar com pessoas que pastoreiam igrejas, semeiam a Palavra e, anônimos, fazem um trabalho que é espetáculo no céu. Por aqui não vêem holofotes, nada de bajulação, muito pouca visibilidade, mas a cada pessoa que é alcançada pela mensagem simples do Evangelho, os céus se rejubilam. Homens e mulheres que andam de sol a sol ou debaixo de chuva, como nessa época do ano, mas são incansáveis proclamadores de verdades eternas. Pessoas que amam a Deus, amam a mensagem da cruz e, como no clássico hino evangélico, levam também sua cruz, até por uma coroa trocar. Não comprometem a mensagem, não retrocedem e, mesmo por vezes abalados, avançam renovando suas forças no Senhor. Conheço algumas dessas pessoas e amo estar com elas e partilhar minha vida e meus sonhos com os tais.
Agora, uma coisa que me deixa devastado é alguém chegar para mim e dizer que encontrou a fórmula infalível para o crescimento da igreja. Fico injuriado com propostas mirabolantes, infindáveis métodos emaranhados, os quais custam mais tempo para entende-los e aplica-los do que simplesmente anunciar as verdades daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz. Percebo um deslumbramento com o crescimento, uma vontade enorme de auto-afirmação. Também parece que há um certo menosprezo com quem não compartilha do mesmo entendimento.
É obvio que, como dirigente de uma igreja, quero que minha comunidade cresça, e muito. Para tanto não é menos óbvio que tenho que usar métodos e levar minha equipe a fazê-lo também. O que não consigo realizar é que o método que deu certo em alguma igreja estadunidense ou asiática seja empurrado goela abaixo em nossa cultura tupiniquim. Tampouco é certo dizer que o que é aplicado numa igreja dentro de uma mesma cidade pode ser eficaz numa comunidade de outro bairro. É muito simplismo e ingenuidade.
Quero andar com pessoas que saibam o que eu digo quando falo das lágrimas durante a semeadura. Quero renovar minhas forças como a águia a que se refere Isaías, quero ser lembrado que aquele que semeia com lágrimas, colherá com cânticos de alegria. Anseio por companhias que saibam o que é sofrer por causa do nome do Senhor, como aprendeu o apóstolo Paulo. Quero aprender com os primeiros cristãos que não eram deslumbrados, tão-somente pregavam uma mensagem simples, porém com vigor, e a igreja crescia a cada dia, como resultado da pregação, que chamava sempre ao arrependimento, e de uma vida intensa de oração.
Eu leio e releio os atos dos apóstolos, a história da igreja, os grandes avivamentos, mas não vejo nenhum dos grandes líderes afirmarem terem descoberto a fórmula infalível do crescimento. Vejo homens e mulheres que tinham uma vida de intimidade com Deus, oravam com intensidade, pregavam o evangelho e edificavam o povo com a Palavra de Deus. O crescimento é um resultado de tudo isso. Mesmo aqueles que foram extremamente metódicos quanto à forma de conduzir seus trabalhos, como John Wesley, não ousaram dizer que tinham recebido de Deus a última forma de fazer a igreja crescer.
Prefiro ficar com os imutáveis princípios bíblicos, com a leveza do evangelho simples, com a consciência das necessidades de nossa cultura brasileira e, em especial, nortista, aproveitando todas as oportunidades de evangelização e anunciado com paixão o evangelho de Jesus. O crescimento o Senhor dará.
Márcio Rosa da Silva Dirigente da Igreja Betesda em Boa Vista
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